3 de janeiro de 2014

Por talentos olímpicos, Liga Nacional levará discussão sobre a permanência de menores em clubes de tiro às autoridades

Bernardo Geraldes Milléo, bi-campeão da Liga Nacional de Trap Americano (2012 e 2013) - Foto: Prefeitura de Ponta Grossa/Reprodução
Como primeira ação de seu segundo mandato à frente da diretoria executiva da Liga Nacional de Tiro ao Prato (LNTP), o presidente Acir Edling anunciou a criação de uma diretoria específica para assessorá-lo em assuntos jurídicos. Até então os assuntos jurídico pertinentes à Liga Nacional eram tratados pela assessoria da presidência. Quem assumiu o cargo de Diretor Jurídico foi o atirador gaúcho e advogado Dr. Luciano Toson, da cidade de Passo Fundo/RS.

Segundo seu presidente, a Liga Nacional vai encampar algumas discussões junto às autoridades visando a melhoria nas condições de prática do Tiro Esportivo no país, principalmente a questão quanto à freqüência e permanência de menores de idade em clubes de tiro.


A prática do esporte do tiro por crianças e adolescentes no Brasil é complicada. Embora nos países mais desenvolvidos no mundo qualquer criança possa frequentar clubes de tiro acompanhada de seus pais e se tornar um atleta de ponta desde cedo, no Brasil existe uma lei (10.826/2003) que determina pena de até dois anos de prisão e multa para quem "deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18 anos (...) se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que seja de sua propriedade". Tal dispositivo legal cria insegurança para que clubes de tiro permitam a presença de menores de idade em suas dependências, mesmo na presença dos pais.

Felizmente, já há jurisprudência a favor de crianças, adolescentes, pais de atletas, clubes de tiro e do esporte. Em setembro de 2013, a 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás autorizou um menor de idade da cidade goiana de Catalão a praticar Tiro Esportivo. O voto do juiz substituto em 2º grau Marcus da Costa Ferreira, seguido unamimemente pelos demais magistrados, considerou os laudos psicológico e psiquiátrico do jovem, além de reconhecer que esta é uma prática olímpica, portanto, sem impedimento legal.

"Precisamos pacificar o entendimento das autoridades em relação aos nossos atiradores juvenis e juniores, pois somente assim poderemos pensar em renovar os talentos olímpicos do Tiro Esportivo brasileiro", comentou Acir Edling.

A LNTP tem cerca de 21 atletas competindo regularmente nas categorias Júnior e Juvenil. Um dos destaques das categorias de base é o atirador Bernardo Geraldes Milléo, de 15 anos, filiado ao Clube de Caça e Pesca do Paraná, localizado no município de Ponta Grossa/PR. Bi-campeão (2012 e 2013) da Liga Nacional no Trap 100 e com 92,43% de aproveitamento em 2013, Bernardo tem média de pontos superior a muitos atletas da categoria Sênior.

Bernardo, que começou a atirar aos 10 anos de idade, disputou também no ano passado a Fossa Olímpica pela categoria Júnior do Campeonato Brasileiro de Tiro ao Prato Olímpico. Em junho, quando venceu a 5ª etapa do Brasileiro, Bernardo fez 113 pontos e alcançou o MQS (Minimum Qualification Scores) da modalidade, pontuação mínima determinada pela ISSF que um atleta deve alcançar para se qualificar a uma vaga olímpica.

Já estamos no 2º ano do ciclo olímpico que culminará nos Jogos de 2016. Se o Brasil deixar, muitos talentos olímpicos surgirão no Tiro Esportivo. Para que isso aconteça, é preciso sair da inércia. É o que a LNTP está começando a fazer.

Com informações da LNTP

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