7 de outubro de 2013

Você conhece a Schützenfest, a Festa dos Atiradores?

Schützenfest - Festa dos Atiradores
A Schützenfest ou Festa dos Atiradores é uma festa tipica alemã que acontece anualmente na região noroeste da Alemanha, bem como na Baviera. No Brasil, é realizada no município de Jaraguá do Sul pela Associação dos Clubes e Sociedades de Caça e Tiro do Vale do Itapocu (ACSCTVI) e tradicionalmente acontece no mês de outubro.

Na Schützenfest você atira à vontade nas dezenas de estandes montados no Parque Municipal de Eventos. A festa dura 11 dias e ao final são conhecidos os reis e rainhas de cada modalidade de tiro disputada.

As sociedades de atiradores
As Schützenvereine (sociedades de atiradores, na língua alemã) são instituições muito antigas, que foram levadas para Santa Catarina com a imigração e tiveram papel destacado na vida social, cultural e recreativa dos imigrantes. Com o passar dos anos, enraizaram-se e sobreviveram até os nossos dias, fazendo parte importante da história e da gente catarinense. Sua importância pode ser comparada às corporações de atiradores da Alemanha medieval.

A tradição dos clubes de caça e tiro é milenar e nasceu na Alemanha, que possui o mais antigo clube do planeta, com 700 anos de existência e em plena atividade. Suas origens estão na distante Idade Média, quando há 800 anos já existiam em Flandres como organizações de autodefesa. Formaram-se corporações de atiradores também em outras regiões dos Países Baixos, do norte da França, da Saxônia, da Suíça, da Turíngia e do Tirol.

Estas corporações visavam treinar seus elementos no manejo das armas, além de cultivar o sentimento pátrio, a camaradagem e a recreação. As armas usadas inicialmente eram bestas ou balestras, sendo, com o tempo, substituídas por armas de fogo. Em algumas regiões da Europa, estas corporações destacaram-se pelo seu caráter militar, como na Saxônia, Turíngia, Suíça e no Tirol.

Na Alemanha medieval, as corporações de atiradores tinham por finalidade a defesa contra os abusos dos senhores feudais e do poder real, além da proteção de suas cidades e comércio contra saqueadores e invasores. Em tempo de paz, por ocasião da primavera, os participantes destas corporações organizavam competições de tiro. Aos prazeres deste esporte, intercalava-se a sociabilidade e a inclinação para organizar grandes festas, das quais toda a população participava.

À medida em que o feudalismo decaía, a burguesia foi assumindo responsabilidades políticas, tendo que tomar o comando das tarefas de defesa. Com o surgimento dos exércitos organizados e permanentes, as corporações foram perdendo suas características guerreiras e sua importância foi decaindo.

No século XIX, destas associações ficaram apenas os folguedos da Schützenfest. Sua importância maior consistia na arte e na destreza do tiro. O atirador mais hábil era aclamado “Rei dos Atiradores”. Em muitos lugares da Alemanha, a Schützenfest  durava uma semana inteira. Com o passar do tempo, as formas das festas evoluíram, mas permaneceu a sua finalidade. Qualquer um podia ser Rei, representando a consciência da independência dos cidadãos num ambiente alegre.

As sociedades de atiradores em Jaraguá do Sul
Com a ida dos imigrantes para Santa Catarina, a tradição da Festa do Tiro os acompanhou, tanto por ser a festa popular da Alemanha quanto pelo fato de ter sido a que melhor se adaptou ao novo meio. Em Jaraguá do Sul, a sociedade se concretizou em 6 de março de 1906, quando a Schützenvereine Jaraguá foi fundada oficialmente por um grupo de pessoas, entre elas o Coronel da Guarda Nacional Bernardo Grubba e sua esposa, que doaram suas terras recém-adquiridas para a instalação do estande de tiro. Seu primeiro presidente foi o oleiro Otto Meyer.

Naquele local permaneceu até o ano de 1930, com galpão e estande de tiro, festejando as suas datas magnas num salão conhecido por Salão do Pau do Meio (esteio no meio do salão com a finalidade de sustentação), no qual estabeleceu-se, mais tarde, a Sociedade Recreativa e Esportiva Boa Esperança, concluindo-se a primeira fase com a construção de uma ampla sede social, no outro lado do Rio Itapocu, na Rua Engenheiro Frederico Bruestlein, durante a presidência de Reinoldo Rau.

Em 1938, o Decreto Estadual nº 35 proibiu o uso de nomes em língua estrangeira, modificando as denominações das sociedades, sendo que muitas delas reformularam, inclusive, seus estatutos nessa época. Mais tarde, também foi proibido o uso de nomes pátrios, como Brasil, Nação, Estado, Município. Porém, a Campanha de Nacionalização, aliada à entrada do Brasil na II Guerra Mundial, fez com que muitas Sociedades fossem fechadas pela Polícia, com documentação, armas e bandeiras recolhidas, sendo que algumas não foram devolvidas.

Qualquer evidência alemã era apreendida. Algumas sedes sociais foram tomadas por militares que ali se aquartelaram, destruindo o patrimônio social. Após a guerra, as sociedades, aos poucos, foram se reconstituindo. Algumas continuaram com a mesma denominação anterior, outras a modificaram e, inclusive, em seus novos estatutos, dizem que estão sendo fundadas naquele momento, evitando possíveis represálias das autoridades competentes. A documentação que se perdeu nesse período é incalculável, tais como atas e estatutos em alemão, registros fiscais e troféus.

Em meados da década de 1980, algumas sociedades, notadamente das regiões do Rio da Luz e Rio Cerro, iniciaram reuniões para a realização de uma grande festa entre as sociedades. A iniciativa se ampliou e, em 18 março de 1989, foi criada a Associação dos Clubes e Sociedades de Tiro do Vale do Itapocu, com a finalidade de realizar anualmente a Schützenfest, a grande Festa dos Atiradores, resgatando as verdadeiras tradições germânicas, além de organizar igualmente o calendário de promoções das próprias sociedades a ela filiadas.

Fonte: Schützenfest

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