5 de outubro de 2013

Militares colombianos que combateram as Farc disputam o Aberto Internacional de Tiro Paradesportivo

Equipe colombiana de Tiro Paradesportivo - Aberto Internacional de Tiro - Foto: Fernando Maia/ Mpix/ CPB
Dentre os 77 participantes do Aberto Internacional de Tiro Paradesportivo, que ocorre neste final de semana, em Deodoro, na Zona Oeste do Rio, dois colombianos encontraram no esporte uma válvula de escape para superar um passado trágico.

A competição, iniciada na quinta-feira, com a presença do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, será encerrada na tarde deste domingo (06/10) no Centro Nacional de Tiro Esportivo (CNTE), instalação que receberá as provas de tiro nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio-2016.


A delegação colombiana que disputa o evento conta com quatro atiradores. Dois deles, Gabriel Cardona e Fabio Jaimes, serviram ao Exército colombiano quando foram atacados pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), grupo paramilitar que aterrorizou a Colômbia e alguns países vizinhos, até o ano passado. São atribuídas aos terroristas das Farc a morte de mais de 60 mil pessoas. Há três meses, dois líderes do grupo, presos, foram condenados a 40 anos de prisão.

As marcas do confronto, no entanto, perduram. Jaimes foi atingido por um tiro de fuzil nas costas, em combate na floresta da região de Caqueta, perto da fronteira com o Equador, em 2007. “Eram 80 militares contra quase 800 das Farc. Quando olhei para trás, vi um senhora, era velhinha mesmo, tinha os olhos puxados, com um fuzil quase do tamanho dela, mirando e me acertando pelas costas”, relembra Jaimes, que é paralisado da cintura para baixo, e começou a praticar o tiro paradesportivo há dez meses.

Hoje, sábado, ele disputou a Carabina de Ar 10 m, mas não chegou à final. Seu conterrâneo Gabriel Cardona obteve mais sucesso ao conquistar o bronze na prova, com 180,7 pontos. O ouro ficou com o canadense Christos Trifonidis (206,9), seguido pelo paulista Carlos Garletti (204,5).

Cardona é amputado da perna direita desde 2003. Foi vítima de um ataque a bombas das Farc em Arauca, uma zona petrolífera, próxima à Venezuela. “Caminhava pelo estacionamento de aeronaves quando bombas começaram a cair do céu, por volta das 19h. Por sorte, elas não atingiram o alojamento do batalhão, pois aí seriam mais de 100 mortos”, relembrou Cardona, que era coronel do Exército.

Esta foi apenas a primeira competição internacional dos atletas da Colômbia no tiro paradesportivo. O Aberto disputado no Rio nesta semana é promovido pelo CPB, com apoio do Ministério do Esporte, por meio de um convênio, e o patrocínio das Loterias Caixa. O evento serve para desenvolver a modalidade no continente, a pedido do Comitê Paralímpico Internacional, já que jamais houve algo semelhante nas Américas.

“O que o Brasil está fazendo é esplendoroso, desenvolvendo a modalidade no continente, dando oportunidade para os países conhecerem o tiro paradesportivo e trocando experiências. Aqui, não somos deficientes, somos desportistas, atletas”, vibrou Cardona.

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