14 de outubro de 2013

'Ainda me considero um novato', diz Luiz Henrique Backes, vice-campeão panamericano de Shotgun

Luiz Henrique Backes - Shotgun - Tiro Prático - Foto: Arquivo pessoal do atleta
Você conhece o atirador Luiz Henrique Backes? Aqui no blog já falamos algumas vezes dele. Em junho deste ano, ele conquistou o 2º lugar na categoria Senior e o 4º lugar no overall da divisão Standard Manual no Campeonato Pan-americano de ShotgunEm 2012, conquistou o 4º lugar no Mundial da Hungria.

Sem dúvida, Backes é uma das referências brasileiras no Shotgun. Abaixo, você confere a bela entrevista concedida em agosto pelo atleta ao site Guga Ribas.


Em apenas oito anos no IPSC, Luiz Henrique Backes já garantiu inúmeras conquistas. Mais do que títulos, o pentacampeão Brasileiro de Shotgun conquistou o carinho e a admiração dos que tiveram o prazer de conhecê-lo. Fez amigos e se tornou referência no mundo do tiro não só como atleta, mas também como pessoa.

Empresário do ramo hoteleiro de Bombinhas, Santa Catarina, Backes encontrou uma brecha na sua agenda para conceder uma entrevista exclusiva ao portal da GR Company. O atleta falou sobre sua carreira, o momento vivido pelo esporte no país, vida pessoal e planos para o futuro. Confira a entrevista na íntegra:

Quando começou a praticar IPSC? Teve influência de alguém?
Eu iniciei no tiro em 2005, depois de ter assistido uma Etapa do Brasileiro no Clube Santa Mônica, em Curitiba. Foi lá que relembrei o cheiro de pólvora que sentia nos cartuchos de caça do meu pai e decidi que iria praticar o esporte. Já na semana seguinte procurei um clube de tiro para obter maiores informações, fiz um curso e fui muito bem orientado pelo pessoal do Clube Órion.

Qual a sua ocupação hoje, Backes? 
Eu e meus Irmãos temos hotéis em Bombinhas, litoral de Santa Catarina. Como o movimento por aqui ainda é pequeno na baixa temporada, sobra tempo para a prática do tiro. Já fiz a prova para credenciamento de Instrutor de Tiro e pretendo no máximo até o próximo ano estar apto a exercer essa atividade.

Você acaba viajando muito para participar das competições. Como sua família vê sua relação com o esporte? Eles lhe motivam ou de vez em quando é motivo de briga?
Esta é uma pergunta que muito já me fizeram e outros tantos gostariam de fazer. Realmente são muitas viagens. Para ter uma ideia, em 2012 eu fiz vinte provas, sendo três internacionais. Em alguns períodos cheguei a participar de três provas por mês. E se não fosse a família… Hoje posso dizer que existe uma estrutura familiar por traz do Backes atirador, que me apoia, me incentiva e participa quando pode. Após quase vinte anos de casado, temos um grau de afinidade, confiança e cumplicidade tão grande que nos mantemos em sintonia mesmo de longe. Brigas? São raras, há muito não acontecem. Negociamos os finais de semana com os compromissos sociais ou profissionais. Sou apaixonado por este esporte, mas a família está acima de tudo, sem ela o Backes não existe.

Você tem dois filhos, certo? Algum deles é praticante ou tem interesse pelo IPSC?
Na verdade são três filhos: Rafael (29), Gustavo (25) e Heitor (13). Todos aprenderam a atirar desde os seus seis ou sete anos para que soubessem manusear uma arma e também perdessem a curiosidade, característica dos jovens. O Heitor até já ganhou sua primeira medalha em carabina de pressão em Atibaia, ficou todo prosa. Mas por hora é só, o tempo dirá.

Por suas conquistas e talento, você se tornou um dos grandes nomes do IPSC brasileiro e é referência para muitos atletas. Como enxerga essa influência sobre os demais? 
Nunca imaginei um dia chegar a tanto, mas é o que tenho percebido. Pessoas me cumprimentando pelas conquistas, buscando informações, trocando ideias, tentando de uma forma ou outra estar próximas. É muito bom receber esse reconhecimento e carinho. Ser exemplo é uma responsabilidade muito grande, suas atitudes se refletem e podem interferir e/ou mudar a conduta e ações de quem observa, seja na vida esportiva ou fora dela. Os jovens serão o espelho do que fazemos agora, então faça o correto, dê o exemplo. Procuro passar o que sei, faço e penso, e espero que eles tenham discernimento para avaliar e extrair o que for melhor para a vida deles.

Da mesma forma que muitos atletas se espelham em você, acredito que você também tenha alguns como referência. Tem algum ídolo no esporte? 
São muitos e em esportes diversos: Ayrton Senna , Pelé, Valdemar Niclevicz, Bernardinho e Robert Scheidt são alguns deles. No nosso Esporte tem o Lucimar Domingues, Nilton Fior, Jaime Saldanha Jr, Alison Vericio, Moacir Azevedo e o próprio Guga Ribas. Além de atletas internacionais como Igor Jankovic (Servia), Roger Karp (Finlandia), Bostjan Pavlic (Slovenia), Jerry Miculek (USA) e Rob Romero (USA).

Guarda alguma competição com mais carinho, algum dos resultados foi mais especial? Se sim, por qual motivo?
O primeiro Mundial a gente não esquece, apesar de querer esquecer o meu resultado, que foi bem abaixo do que esperava. Havia acabado de trocar de arma e senti muita diferença. Por isso prefiro lembrar com mais carinho do PAN de 2013, em que consegui me reencontrar e o resultado começou a aparecer. Além disso, a competição aconteceu em num lugar que já consideramos nossa casa nos Estados Unidos: o Rockcastle Shooting Center, em Pack City. É um lugar muito especial, onde nós brasileiros somos recebidos com um abraço, tratados pelo nome e temos crédito.

Como vê o IPSC brasileiro hoje? O que pode ser feito para desenvolver as modalidades do esporte em nosso país?
O IPSC deve crescer muito nos próximos anos, é só acompanhar as estatísticas de venda de arma de fogo. Quem compra um carro quer dirigi-lo e o mesmo acontece com quem compra uma arma. Portanto, a tendência é que os compradores se tornem atletas e o esporte ganhe novos praticantes. O que precisamos é quebrar as barreiras do desconhecimento e do preconceito que há sobre as armas. O Tiro Prático pode parecer violento e de segurança duvidosa aos olhos de um leigo, mas é um esporte empolgante, extremamente seguro, que exige concentração e autocontrole emocional. Carros e motos matam ano a ano mais do que as armas, porque estão nas mãos de pessoas despreparadas para o uso responsável. A população brasileira precisa saber que armas de fogo podem ser usadas com segurança no esporte. Precisamos buscar o apoio de Empresários que conheçam e simpatizem com o tiro, para auxiliar nessa tarefa de divulgação das modalidades.

Quais são seus planos para o futuro? Já conquistou tudo o que gostaria ou ainda há um grande sonho a ser alcançado?
Estou no tiro há oito anos, ainda me considero um novato. Meu sonho é transmitir um pouco da minha experiência para os que estão chegando agora, sedentos de conhecimento. Pretendo elaborar um curso de tiro voltado para o Shotgun, modalidade está começando a se difundir no Brasil e há muito conhecimento a ser disseminado. Pretendo estar no próximo Mundial de Shotgun na Itália em 2015 e poder fazer um resultado melhor que em 2012.

Fonte: Guga Ribas

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