27 de setembro de 2013

"Nossas preparações são medíocres perto do resto do mundo", revela Rodrigo Bastos em entrevista exclusiva

Rodrigo Bastos - Fossa Olímpica - Tiro ao Prato - Foto: Divulgação/ Site do atleta
Rodrigo Bastos, atual líder do ranking brasileiro da Fossa Olímpica, ficou em 9º lugar no Campeonato Mundial ISSF de Tiro ao Prato Olímpico na última terça-feira (24/09). Quebrando 119 dos 125 pratos da prova (25-23-22-24-25), ficou a 1 prato de brigar por uma vaga na semi-final. "Eu estou na melhor fase do meu tiro", disse ao blog. Ele estava lá para estar entre os primeiros. 

Definido modestamente em sua página na internet como Vice-campeão do Ibero-Americano 2012 e Vice-campeão da Copa Brasil 2012, o paranaense de 46 anos já fez bem mais que isso. No Pan de 2003, em Santo Domingo, trouxe a prata. Em 1989, na etapa mexicana da Copa do Mundo, o bronze. Um ano antes, em 1988, consagrou-se como o primeiro medalhista de ouro do Brasil em uma etapa de Copa do Mundo, também no México. Sem dúvida, é um dos maiores nomes do tiro nacional, não só do Tiro ao Prato.

Rodrigo Bastos: Medalha de prata no Pan 2003 - Fossa Olímpica - Tiro ao Prato - Foto: Divulgação/ Site do atleta
Dentista por profissão, Bastos é sincero ao revelar a atual condição do Tiro ao Prato no Brasil: "Nossas preparações são medíocres perto do resto do mundo". Perguntado sobre a etapa da Copa do Mundo programada para acontecer no Rio de Janeiro no ano que vem, foi incisivo: "Não temos nada pronto para fazer uma Copa do Mundo no Rio em abril de 2014".

Confira abaixo a íntegra da entrevista.

Rodrigo, primeiramente, gostaríamos de parabenizá-lo pela 9ª colocação no Campeonato Mundial de Tiro ao Prato Olímpico 2013. Por pouco você não entrou no shoot-off que decidiu os últimos três finalistas. Qual era a sua meta pessoal para essa competição?
Sinceramente? Ganhar. Eu estou na melhor fase do meu tiro.

A equipe do Tiro ao Prato Olímpico passou por um período de treinos em Lima no começo de setembro. Foi um período suficiente para adaptação?
Não. Foi muito pouca nossa preparação. Quase nada. Por esse motivo eu não ganhei; pela falta de treino mesmo.

Quais foram as maiores dificuldades durante a competição? 
Falta de treino. Muito pouco. Quase nada.

O fato da equipe somente ter participado de somente uma competição da ISSF antes do Campeonato Mundial, a etapa da Copa do Mundo em Granada, pode ter influenciado no desempenho da equipe?
Com certeza. Nossas preparações são medíocres perto do resto do mundo.

Recentemente houve uma mudança no regulamento do Campeonato Brasileiro de Tiro ao Prato Olímpico, estabelecendo a obrigatoriedade de finais nos moldes das novas regras da ISSF para atletas da Classe A, quando competindo em clube sede presencial. Na sua opinião, essa mudança facilita a adaptação da equipe às novas regras?
Sim, claro. É importante [o regulamento do Brasileiro] ser igual às regras [da ISSF].

O ciclo olímpico para 2016 apenas começou. Como está o planejamento da equipe para 2014, considerando que a 2ª etapa da Copa do Mundo está programada para acontecer no Rio, em abril?
Não tem nada programado em nossa forma como iremos treinar, quando e quanto. Sobre o Rio, pode ter certeza que não irá acontecer. Não temos nada pronto para fazer uma Copa do Mundo no Rio em abril de 2014.

Há alguns meses, o Carlo Danna (técnico da equipe brasileira de Tiro ao Prato Olímpico) declarou ao programa Tá na Área, do canal SporTV, que existem alguns absurdos na legislação brasileira que impedem o desenvolvimento do esporte do tiro no Brasil. Como isso afeta o seu dia-a-dia e dos demais atletas da equipe?
Tudo que o Carlo fala é para o bem do nosso esporte. Pena que ninguém ouve ele ou pede sua opinião. Afeta em tudo, pois o tiro [no Brasil] é muito amador e nossas leis, de 1500.

Por fim, já agradecendo o seu tempo e a sua disposição, peço que deixe aqui seu recado para os novos atiradores, aqueles que estão descobrindo o Tiro Esportivo, dando seus primeiros tiros.
Nunca desista de um sonho.

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Um comentário:

Blog do Edu disse...

Muito boa a entrevista. Sou entusiasta e atirador, mas gostaria de deixar minha indignação quanto a falta de união dos atiradores. Não entendo porque tanta confederações de tiro. Eles nos dividiram para nos enfraquecer. Outra coisa, porque nós estatutos estão proibindo manifestações políticas ou apologias ideológicas. Temos o dever de incentivar e apoiar entidades e partidos que apoiam o esporte. Somos ou não cabeças livres e pensantes? Somos ou não somos republicanos democráticos de direito?

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