15 de agosto de 2013

Por que considero injustos os critérios de qualificação de atletas para a final da Copa do Mundo ISSF

Na terça-feira postei um texto falando a respeito das regras da ISSF para a qualificação dos atletas para as finais da Copas do Mundo de Carabina e Pistola e de Tiro ao Prato Olímpico. Falei também que considero tais regras injustas, porque dão mais valor à posição alcançada pelo atleta numa determinada final que ao desempenho do mesmo na prova.

Antes de começar a explicar meu posicionamento, um rápido resumo das regras de qualificação de atletas para as finais das Copas do Mundo:

- Os detentores dos títulos do ano anterior;
- Em anos de Jogos Olímpicos e Campeonatos Mundiais, os três medalhistas de cada prova;
- Em anos intermediários, apenas os campeões olímpicos ou mundiais;
- Dois atletas da federação organizadora;
- Os oito primeiros no ranking do Valor de Qualificação.

Baixa concorrência

Pelos critérios atuais - no caso das provas de Carabina e Pistola - este ano, por ser ano intermediário, terá finais disputadas por apenas 10 atletas: campeão olímpico, detentor do título do ano anterior, mais 8 atletas pelo sistema de pontuação. Em anos olímpicos ou de Campeonato Mundial (que é realizado em anos pares, com exceção do ano olímpico) teremos um máximo de 12 atletas disputando a final: medalhistas olímpicos ou mundiais, detentor do título do ano anterior, mais 8 atletas pelo sistema de pontuação.

Apenas 10 ou 12 atletas disputando uma prova onde 8 atletas se classificam é muito pouco para uma final de Copa do Mundo. Quanto menos atletas, menor a concorrência. Simples assim. O ideal seria 16 atletas em cada prova. Com este número, teríamos uma disputa muito mais acirrada, com uma concorrência de 2 atletas pra cada vaga na final da prova e ainda assim seria uma prova restrita aos melhores do mundo.

No Tiro ao Prato Olímpico - que possui Campeonatos Mundiais todos os anos, com exceção do ano olímpico - as provas da final da Copa do Mundo são disputadas todo ano por 12 atiradores, o dobro do número de atletas que se qualificam para a semi-final de cada prova. A meu ver, é a concorrência ideal para a final.

Valor de Qualificação

Entretanto, o critério mais injusto não é a quantidade de atletas, mas o chamado Valor de Qualificação (VQ). O VQ é obtido pela soma de pontos A + B, conquistados em cada etapa da Copa do Mundo.

Os pontos A são obtidos pela classificação final do atleta na prova: 15 pontos para o 1º colocado, 10 para o 2º, 8 para o 3º, 5 para o 4º, e sucessivamente até o 8º, que recebe 1 ponto. Os pontos B são obtidos pela pontuação do atleta na prova, em relação ao recorde mundial. 15 pontos se o atleta conquista ou iguala um recorde e um ponto a menos para cada ponto de distância do recorde. A soma dos pontos A + B será sempre menor ou igual a 30.

E por que considero essa fórmula injusta? Vou dar um exemplo real. Vamos analisar a lista dos VQ atuais dos atletas da Carabina Deitado:

Relação de atletas da Carabina Deitado por Valor de Qualificação para a final da Copa do Mundo

Veja o atleta Michael McPhail, com VQ igual a 21. Ele tem 10 pontos A, por ter ficado em 2º na etapa de Changwon e 11 pontos B por ter ficado 4 pontos atrás do recorde da época (623,4 pontos). Veja que a pontuação de McPhail na qualificação da prova foi baixa (619,4). Entre os 32 finalistas da prova nas 4 etapas da Copa do Mundo, ele ficou com a 5ª pior pontuação, ficando atrás de 27 atletas.

Agora veja o VQ do brasileiro Cassio Rippel: 4 pontos A por ter ficado em 5º na etapa de Granada e 10 pontos B por ter ficado aproximadamente 5 pontos atrás do recorde mundial. Percebam que a pontuação de qualificação na prova do brasileiro (626,0) foi 6,6 pontos maior que a do americano. Em comparação com os 32 finalistas, Rippel fez a 9ª melhor pontuação do ano. Se McPhail tivesse disputado a etapa de Granada e fizesse a mesma pontuação que fez em Changwon, teria ficado na 44ª posição, quando o brasileiro ficou em 5º lugar. 

E por que McPhail de classificou para final da Copa do Mundo e Cassio Rippel não? Por que o americano ficou em 2º lugar num evento em que o nível foi baixo, enquanto o brasileiro foi 5º num evento onde nível foi muito mais alto. Prova disso é o fato de que 6 dos 8 finalistas de Granada não participaram do evento em Changwon.

Outro detalhe. Por que a pontuação B de McPhail foi mais alta que a de Rippel? Porque em Granada o atleta Vitali Bubnovich registrou um novo recorde mundial (630,7) e a diferença entre o novo recorde e a pontuação do brasileiro na prova é um pouco maior que a diferença entre a pontuação do americano e o recorde anterior. 

Semelhantemente ao brasileiro, outros 10 atletas com desempenho melhor que o de McPhail ficaram pra trás e não obtiveram VQ suficiente para estar na final da Copa do Mundo.

E agora, a cereja no bolo da injustiça: como explicar o fato do recordista mundial da prova não disputar a final da Copa do Mundo? Perguntem à ISSF, que pelo visto dá mais importância à posição dos atletas no pódio que com o desempenho efetivo dos mesmos.

Seria injusto também deixar de fora alguns medalhistas de etapas para dar lugar a quem teve bom desempenho na qualificação, mas não rendeu na final? Sim, com certeza. Mas eu não tenho a fórmula ideal. Só estou convencido de que esta que está aí não é a melhor. Também não estou pegando no pé do atleta americano, por favor. Apenas pincei um exemplo.

E vocês, concordam ou discordam? Aproveitem a área de comentários para deixar suas considerações sobre este e outros assuntos.

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