6 de fevereiro de 2013

Armas: Uma paixão


Bene Barbosa*
Publicado originalmente na revista Tiro Certo

Sempre gostei de armas. Inicialmente, claro, as de brinquedo, presentes corriqueiros na década de 70, quando a ditadura do politicamente correto ainda engatinhava nos EUA e na Europa. Naqueles idos, em uma das incontáveis vezes que pedi um "revólver" para o meu pai, ou melhor, mais um revólver, daqueles de espoleta, minha mãe preocupada o dizia: “Meu Deus, esse menino só pede arma! Será que isso é bom?". Meu pai, nascido em 1919, muito longe de qualquer coisa na terra que pudesse ser contaminada pelo politicamente correto, sentenciou: “só vou me preocupar quando ele pedir uma boneca!” - atenção, patrulha, meu pai já morreu faz vinte anos, então não há como processá-lo...

Com aquelas armas, matei e morri milhares de vezes, ora como bandido, ora como mocinho; ora como índio, ora como cowboy - confesso que nunca gostei de ser o bandido ou o índio (lá vem patrulhamento). E por falar em índios, não os nossos silvícolas, mas aqueles dos velhos filmes de “farveste”, como dizia a minha avó, outra passagem me volta à mente. Eu morava na Praia Grande, e no meu aniversário de sete anos meus pais resolveram fazer uma festa no fundo do quintal, coisa rara naquela época. Subi a serra com meu pai, rumo à tradicional Di Cunto, onde compraríamos o meu bolo de aniversário. Armado estava eu com uma Winchester e um Colt na cintura, usados por toda a viagem para matar aqueles tais índios que, imaginariamente, teimavam, de cima das árvores, em nos atacar. “Pum, matei mais um!”, gritava. E meu pai dizia “feriu?” “Não, matei mesmo!”, respondia confiante. E ele assumia aquela cara de “ai, meu Deus!” Que lembrança maravilhosa!

No ano seguinte, a grande surpresa, de presente ganhei minha primeira “espingarda de chumbinho”, história contada em um editorial que escrevi para revista Magnum e reproduzo abaixo:

“Ronco de motor, barulho de portão, o menino larga imediatamente o que está fazendo para receber o pai que chega de mais um dia de trabalho. Abre a porta e se depara com o sorriso do pai e em suas mãos um embrulho, uma longa caixa que parecia, para uma criança de oito anos, muito maior do que ela realmente era.

Ávido, esfrangalha o papel de embrulho com a imagem da deusa da caça, logomarca da extinta loja de caça e pesca Diana Paolucci, que ficava no bairro do Brás, em São Paulo. Por detrás do papel outra logomarca, gravada no papelão pardo da caixa, denunciava o conteúdo. Infelizmente, os anos borraram a certeza de qual era o fabricante, mas não tiveram poder para apagar a alegria daquele momento: o menino acabava de ganhar sua primeira “espingarda de chumbinho”!

Durante anos, nas ruas não pavimentas da Praia Grande, aquela “espingarda” o acompanhou. Caixas de fósforos, latas de refrigerantes, soldadinhos de plástico, batatas roubadas da cozinha da mãe... eram alvos, quase tudo era um alvo, com exceção de passarinhos e lâmpadas dos vizinhos, pois o pai avisara -“Se matar passarinho ou quebrar alguma coisa, perde a espingarda!” Ele sabia que o castigo era justo e certo. Jamais correria o risco de perder sua companheira de aventuras verdadeiras e imaginárias.
Anos se passaram, outras tantas “espingardas de chumbinho” vieram e, infelizmente, se foram, não deixando resquícios físicos, mas deixando marcas indeléveis de uma paixão que só cresceria.”

E cresceu, mesmo. Eu também. Vieram as armas de fogo, o colecionismo, o tiro esportivo. Vieram também os filhos e - olha elas novamente – as armas de brinquedo, porém em um mundo chato, quase dominado pelo politicamente correto, onde muitos especialistas se baseiam em ideologia para bradar proibições e restrições. 

Não existem mais aqueles maravilhosos revólveres de espoleta da Estrela, ou até mesmo um bem baratinho, todo de alumínio, feito pela Fulgor (a mesma das panelas). Hoje temos que nos contentar com armas muito mal feitas na China, de cores que vão do azul celeste ao rosa Barbie, ou então com a aparência de armas do espaço. No fundo, isso pouco importa, a função de divertimento é a mesma. Matam bandidos, matam zumbis (afinal, não existem mais os fantásticos “farvestes”), entram em guerras, e não raramente rolam pelo chão, com seus donos atingidos por disparos inimigos – “Papai, morri”.

Como já disse, as armas de brinquedo mudaram, mas as brincadeiras não, e não mudou também a educação que tive mais de 30 anos atrás. Arma não é instrumento de opressão, não é instrumento de poder. Terminantemente proibido é que se aponte ou “atire” no papai e na mamãe, a não ser que se transformem em assustadores zumbis – fato constante! – Outra exceção feita quando o pai se transforma em um soldado inimigo que tenta invadir o castelo do sargento JP. E há também a regra de jamais apontar a arma para si mesmo, terminantemente proibido.

É o lúdico sendo usado para iniciar as crianças na segurança com armas reais. Não importa para mim se elas vão ou não gostar de armas reais, mas crescerão, no mínimo, com as regras básicas de segurança arraigadas, além do inestimável valor moral de que arma só tem duas finalidades corretas: Esporte e Defesa.

Não é porque você gostou de armas de brinquedo que gostará de armas de verdade. Não é porque gosta de armas de verdade que é ou será violento. A equação é extremamente simples! 

Mas tem gente que acha que até as armas de brinquedo merecem ser esmagadas por rolos compressores, num ato que assustadoramente remete àquelas cenas de destruições em praças públicas na Alemanha nazista. Ideólogos, na pior acepção da palavra. Muito provavelmente, incapazes de conviver com a própria natureza violenta ou tentando mascarar a inépcia do Estado, do qual não raro fazem parte. Sem contar os hipócritas, que mesmo não acreditando em nada disso se rendem ao politicamente correto e aos holofotes que isso pode trazer.

Querem saber? Pobres adultos que nunca brincaram de bang-bang!

*Bene Barbosa é bacharel em direito, especialista em segurança pública e presidente do Movimento Viva Brasil

E você, também é um apaixonado por armas? Deixe um comentário contando pra nós como foi sua primeira experiência com o esporte do tiro. 

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Um comentário:

Tiro ao Alvo disse...

Parabéns pelo post...

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