2 de outubro de 2012

Entrevista com o atirador Roberto Schmits, primeiro brasileiro finalista da ISSF Shotgun World Cup


Roberto Schmits: atleta do Tiro Esportivo brasileiro

A entrevista* da semana é com o atleta de tiro esportivo Roberto Schmits. Pela 1ª vez na história, um brasileiro se classificou para a final da Copa do Mundo, realizada entre 21 a 25 de setembro na Eslovênia após ter ficado entre os melhores do mundo na temporada no tiro ao prato. Nessa disputa, ele terminou na 11ª colocação. Roberto Schmits respondeu a 8 perguntas analisando as inúmeras dificuldades da modalidade e sua perspectiva para 2016. 

1- Como você analisou o seu 11º lugar na etapa final da Copa do Mundo? Foi o esperado?
Sempre faço o meu melhor. Atirar com os melhores do mundo já é um privilégio, pois pela 1ª vez um brasileiro conseguiu essa classificação. Ficar entre eles é estar entre os Tops Final. Meu resultado foi o mesmo do 10º ao 8º. Todos os  atletas que enfrentei já foram para Olimpíadas. Todos são ganhadores de Copas do Mundo. Fazem do esporte o seu trabalho. Para mim, foi valido como mais uma experiência de vida no Tiro Esportivo.

2- O fato dos Jogos Olímpicos de 2016 acontecerem no Brasil serve de motivação maior para um atleta superar as dificuldades de uma modalidade com pouco apoio e divulgação como o tiro?
Dificuldades sempre tivemos mas é claro que a vontade de ser o representante no Brasil nos motiva sim. O problema é que teríamos que estar treinando a muito tempo. Hoje não temos uma definição de equipe de ponta e não temos verbas suficientes para manter os treinamentos. O tiro no Brasil esta atrasado.

3- Depois do bronze no Pan de Guadalajara você disse que largou tudo para competir. Como está  a conciliação entre o tiro, a família e o trabalho?
Lembro que na época das seletivas para escolher quem seria o representante no Pan de Guadalajara deixei tudo para segundo plano. Treinava direto, quase que todo o dia, para tentar ser um dos dois atletas que disputariam a vaga para representar o Brasil no México. Bom, meu esforço foi recompensado. Como tudo no tiro brasileiro é deixado para última hora, a seletiva foi concluída três meses antes de viajar. Mais três meses de dedicação... e o resultado foi o bronze. Isso tudo com dinheiro do meu bolso. Sem ajuda de ninguém. Pois você só tem suas despesas pagas após a conquista da vaga. Hoje, depois da medalha, pouca coisa mudou. Sou representante comercial, vendo madeiras para construção civil e também sou guia de caça e pesca na Argentina. Tenho total apoio da minha família e espero poder ir até 2016 com essa mesma força e garra!

4- A quatro anos dos próximos Jogos Olímpicos, o que você consideraria uma preparação adequada para um atleta de tiro, durante este ciclo olímpico?
O tiro está doente. Teríamos de nos preparar desde o anuncio oficial de que seríamos sede olímpica. O tiro brasileiro precisa acordar. Vamos atirar em casa. Precisamos definir uma equipe e baseado nessa equipe, os atletas deveriam ter um tratamento diferenciado. Treinos semanais com o treinador no Rio de Janeiro. Ter uma alicerce firme, com acompanhamento de psicólogo, nutricionista, preparador físico. Viajar para fora do País, disputar todas as Copas do Mundo, estar acostumado com os atletas de ponta. Firmar um contrato de responsabilidade entre atletas que desejam e possam fazer esse trabalho. Isso não é brincadeira de final de semana. Precisa estar de acordo com o treinador, acatar suas ordens.

5- Quantas horas por dia e onde você treina? 
Treino uma vez por semana em Caxias do Sul/RS a 220 km ida e volta da minha casa. Atletas de ponta do tiro, dão em média 25 a 30 mil tiros por ano. Nós brasileiros, quando muito damos 12 mil.

6- Como começou a praticar o tiro?
Comecei a participar no tiro incentivado pelo meu pai, João Wilson Schmits, com 8 anos de idade.

7- Quais as próximas competições que pretende disputar?
Ibero Americano em Granada, na Espanha, em outubro, final da Copa Continental e final do Campeonato Brasileiro em novembro na cidade de Americana SP.

8- Cite seus principais incentivadores e patrocinadores.
Meu treinador, Sr. Carlo Danna, minha família e meus melhores amigos do tiro, entre eles, Janice, Bastos, Correa, Leandro, Filipe, Costa, Durval. Não tenho patrocínio, porém conto com ajuda da CBC.

* Entrevista concedida para o jornalista Marcelo Romano e originalmente publicada no blog Brasil Olímpico (com adaptações).

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