21 de agosto de 2012

Em 'simulado' para 2016, promessas ganham confiança em Londres



Lais tirou foto até da placa do metrô. Andressa não deixou uma mascote passar sem posar para as câmeras. Bernardo assistiu à palestra de Rubén Magnano sem piscar. Os três "turistas" fazem parte do grupo de 16 felizardos e talentosos atletas que foram a Londres fazer uma espécie de simulado para os Jogos Olímpicos. A "prova" está marcada para logo mais, no Rio de Janeiro. Agora é estudar para tentar gabaritar nas próximas Olimpíadas, em 2016.

Esses não eram os Jogos Olímpicos em que os 16 jovens atletas brasileiros imaginavam estrear. Mas a chance de ir a Londres sentir o gostinho do paraíso do esporte foi agarrada com muita vontade pelas promessas de 13 a 26 anos de diversas modalidades. Com o projeto "Vivência Olímpica", o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) antecipou a experiência da competição para algumas possíveis estrelas de 2016.

Aquelas histórias de que "sentiu a estreia" e "ficou deslumbrado" prometem não colar em 2016 com Alessandra Marchioro (natação), Felipe Wu (tiro), Flávia Gomes (judô), Hugo Calderano (tênis de mesa), Isaquias Queiros (canoagem), Andressa Mendes (saltos ornamentais), Martine Grael (vela), Rebeca Andrade (ginástica artística), Thiago Monteiro (tênis), Vitor Gonçalves (vôlei de praia), Thiago Braz (atletismo), Bruno Matheus (triatlo), Jéssica Reis (atletismo), Arthur Mendes Júnior (natação), Lais Nunes (lutas) e Bernardo Souza (tiro com arco). Em Londres, enquanto os ídolos nacionais de suas modalidades davam o sangue pelo pódio, os destaques da nova geração se preocupavam em quebrar o gelo para daqui a quatro anos.

O grupo tratou de fazer o que estava ao seu alcance. Aproveitou cada minuto, cada clique, da incrível experiência de viver os Jogos Olímpicos durante quatro dias. A programação foi intensa e incluiu visitas à Vila Olímpica, idas aos locais de competição, palestras com treinadores consagrados e ainda aproveitar os passeios turísticos pela cidade.

É difícil de descrever essa experiência. É muito diferente ver pela TV e estar aqui. Estou muito impressionado, muito surpreso. O fato de a cidade inteira estar mobilizada para isso foi o que mais me chamou a atenção. Você sente que a cidade respira os Jogos e que o mundo está concentrado no que acontece aqui - comentou o atleta de tiro com arco Bernardo Oliveira. O brasiliense, de 18 anos, foi medalhista de prata no Pré-Olímpico, em Medellín, este ano.

Cada detalhe já tratado com normalidade pelos grandes nomes do esporte não passou despercebido pelos olhares curiosos dos novatos. A visita à Vila, por exemplo, foi inspiradora. Viram ali, na fila do bandejão do refeitório, alguns dos ídolos que fizeram com que eles se dedicassem ao esporte. Almoçando ao lado de seus heróis, tiveram a certeza de que querem voltar a sentar naquela mesma mesa. Só que no Rio.

- Posso dizer que realmente tive uma vivência olímpíca. Você fica imaginando como vai ser daqui a quatro anos. Foi importante para a gente já sentir o clima dos Jogos Olímpicos - disse a atleta de 15 anos dos saltos ornamentais Andressa Mendes, uma das mais novas dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no ano passado.

O resultado da experiência já foi imediato para alguns. Respirar o mundo olímpico e ainda receber conselhos dos técnicos de vôlei José Roberto Guimarães e Bernardinho, e de basquete Rubén Magnano serviram como injeção de ânimo em busca do pódio em 2016.

- Todos eles estavam muito conscientes do que vieram fazer aqui. Eles observaram e absorveram tudo o que podiam. Agora, saem daqui muito mais motivados. O Arthur (Mendes), por exemplo, saiu da palestra com Bernardinho preocupado em voltar logo para o Crystal Palace para poder treinar. Isso demonstra a motivação que eles ganharam aqui - avaliou a ex-ginasta Soraya Carvalho, hoje funcionária do COB e responsável pelo projeto Vivência Olímpica.

Os 16 atletas representam uma geração promissora para 2016 e 2020. Desse grupo, três já são ou foram os melhores do mundo nas categorias de base. A judoca Flávia Gomes foi campeã mundial Sub-17, na Hungria, em 2009. Isaquias Queiros foi ouro no Mundial juvenil da canoagem, em 2011, na Alemanha. A velejadora Martine Grael venceu na classe 420 o Campeonato Mundial da Juventude, em 2009, no Brasil. Todos os outros integrantes também já subiram ao pódio de importantes competições internacionais.

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