1 de agosto de 2012

Eliminada, major brasileira diz que sofreu com falta de controle emocional



Marcelo Laguna - enviado iG a Londres | 01/08/2012 10:04:13

Quando passou no concurso para dar aulas de biologia do Colégio Militar do Rio de Janeiro, em 1995, a carioca Ana Luiza Ferrão não imaginaria que estaria também iniciando uma carreira de atleta olímpica. Ao se destacar nas competições internas de tiro, tomou gosto pelo esporte, a ponto de se tornar a melhor atiradora do país na pistola de 25 m, tanto que foi campeã do Pan-Americano de Guadalajara, em 20011, e do Campeonato das Américas, realizado no Rio de Janeiro em 2010, quando inclusive garantiu sua vaga para os Jogos de Londres. Nesta quarta-feira, porém, ela percebeu que tudo isso é muito pouco para conseguir um bom resultado nas Olimpíadas, após ser eliminada e terminar a competição em 38º e último lugar.

“É uma realidade totalmente diferente da qual eu estou acostumada. Aqui estão competindo medalhistas olímpicas, atletas que venceram competições internacionais importantes, isso tudo acaba pesando no final da sua prova”, avaliou Ana Luiza, que é militar e tem a patente de major do Exército brasileiro.

O fato de estrear em Olimpíadas acabou pesando consideravelmente no emocional da atiradora brasileira, que somou apenas 560 pontos e ficou fora da final, terminando na 39ª e última posição dos Jogos Olímpicos.

O fator emocional, mais do que em qualquer esporte acaba sendo decisivo em provas como o tiro esportivo, segundo Ana Luiza. “A gente compete com a gente mesmo, é diferente de outros esportes, onde o desempenho de um adversário afeta o seu próprio resultado. Aqui, eu fico no meu stand, concentrada, pensando somente na minha prova, nem sei o que as outras estão fazendo”, disse Ana Luiza.

Aos 38 anos, a brasileira não procurou encontrar desculpas para explicar seu mau desempenho nos Jogos de Londres 2012. “Faltou maturidade para competir em uma competição deste nível. Poderia ter tentando me abstrair de tudo o que estava ocorrendo em torno de mim, mas foi difícil”, explicou Ana Luiza, que nem aponta a idade avançada como um fator que teria prejudicado o seu desempenho.

“Esta questão da idade no tiro esportivo influencia muito pouco. Entre as classificadas para a final, têm atletas bem mais velhas do que eu. E a francesa que foi prata na pistola 10 m [Celine Goberville] tem somente 25 anos e disputa sua primeira Olimpíada. Ou seja, tudo isso é muito relativo”, afirmou.

Para o próximo ciclo olímpico, cujo ponto final serão os Jogos do Rio 2016, Ana Luiza Ferrão ainda não sabe qual será o seu planejamento de competições, pois é dependente de uma liberação de seus superiores no Colégio Militar. Já para melhorar a parte emocional, irá prosseguir com suas sessões semanais de terapia. “Não é voltada exclusivamente para o esporte, mas claro que esse assunto acaba predominando”, afirmou a brasileira.

Fonte: iG

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