3 de abril de 2012

Paraense de Ouro

Guilherme Paraense - 1º medalhista de ouro da história olímpica do Brasil - Tiro Esportivo
Será que existe alguém que não saiba que a nossa primeira medalha de ouro em Olimpíadas veio do Tiro Esportivo? Se existe, não é por falta de informação. Muitas páginas na internet têm essa informação.

O que talvez muitos não saibam é a história daquela medalha. Aliás, a história daquela equipe que nos trouxe não só uma, mas três medalhas olímpicas e sob condições extremamente desfavoráveis (talvez um prenúncio dos céus do que seria a vida esportiva dos atiradores brasileiros no futuro).

Guilherme Paraense foi atleta do Fluminense Football Club. Militar integrante do Exército Brasileiro, com a patente de tenente, embarcou para Antuérpia, em 1920, com mais sete companheiros a bordo do navio Curvello, todos por conta própria, e desceram em Lisboa, de onde prosseguiram de trem até a Bélgica, informados de que o navio não chegaria a Antuérpia a tempo de participarem das provas. Depois de uma viagem de 27 dias, na conexão em Bruxelas parte das armas e a munição de Paraense foram roubadas.

Com tantos percalços, a equipe brasileira chegou aos Jogos de moral baixa, com fome e sem material esportivo. Impressionados com a situação dos colegas, os atiradores americanos lhes emprestaram armas e munição, modernas e fabricadas especialmente pela Colt.

Paraense venceu a prova de Pistola Rápida acertando na mosca na prova de desempate individual e conquistando a primeira medalha de ouro olímpica brasileira, em 3 de agosto de 1920. O atirador Afrânio Costa ficou com a de prata. A equipe levou o bronze, na prova coletiva.

Em 1922, durante os Jogos Atléticos Sul-Americanos, organizados em comemoração ao Centenário da Independência do Brasil, no Rio de Janeiro, Paraense conquistou a medalha de ouro na prova de revólver, com a equipe brasileira sagrando-se campeã do torneio. A equipe era composta pelos atiradores Tenente Paraense, Tenente Ferraz e Afrânio Costa.

Venceu os campeonatos brasileiros de 1913, 1914, 1915, 1918, 1922 e 1927 e foi campeão carioca de revólver em 1927. Apesar dos dois feitos internacionais, resolveu abandonar o esporte no início da década de 30 e não desejou concorrer às Olimpíadas de 1932 e 1936.

Faleceu aos 83 anos de enfarte no Rio de Janeiro em 1968, infelizmente mais conhecido e reverenciado na Europa que no Brasil. O polígono de tiro da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende - RJ, leva seu nome em sua homenagem.

Fontes:


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